“Quem quer empreender para ganhar mais tempo na vida, escreve aqui nos comentários”

Quase tive um enfarto quando li esse post, em um grupo do Facebook que eu frequento.

Como assim você quer vender uma solução mágica de empreendedorismo?!

E eu não digo que seja absolutamente impossível, mas é uma EXCEÇÃO, gente, principalmente nos primeiros anos de empresa.

O que acontece hoje é o mito do lifestyle design: a tese de que é possível a todo mundo de todo o planeta desenhar um modelo de negócio que se encaixe na sua rotina, como quem encaixa uma hora de exercícios diários. E, por mais que essa tese pareça muito saudável, ela gera um estresse e pressão tremendos na cabeça de qualquer empreendedor, especialmente o empreendedor da geração Y (a minha geração, os loucos que hoje tem em torno de 30 anos).

Você olha aquela pessoa que não trabalha à tarde ou que posta fotos da praia em uma quinta-feira e pensa “nossa, eu estou fazendo alguma coisa errada, não é possível!” ou “meu Deus, tem alguma coisa de errada com a minha empresa, já era para eu ser CEO-Mãe-dos-Dragões #nerd e eu ainda estou aqui, trabalhando de domingo a domingo!”.

Bate aquela deprê. Vamos combinar, isso não ajuda você em nada, não é mesmo, mulher?

É exatamente por isso que eu não vendo nas minhas ofertas o mito “compre meu curso e nunca mais trabalhe na vida”. Simplesmente porque eu não acredito em fórmulas mágicas. Acredito que eu posso te dar um caminho mais otimizado, mais estratégico, com menos erros, porque eu construí um caminho com base nos meus próprios erros e acertos para você não ter que passar pelo que eu passei construindo minha marca e minha comunicação.

Mas vende a você que você nunca mais vai trabalhar ou vai trabalhar 04 horas por dia?! Jamais. Porque isso pode acontecer, sim, mas como prometer que isso vai acontecer com todo mundo, gente? Como prometer que empreender, que arriscar e investir no seu próprio negócio, pode dar menos trabalho do que ter um emprego na empresa de outra pessoa?

O próprio Tim Feriss, um dos ‘pais’ do lifestyle design, autor do livro “Trabalhe 04 Horas por Semana”, já assumiu várias vezes que se matava de tanto trabalhar depois que começou a crescer como empresário. Foi ainda mais sincero em uma entrevista com a Marie Forleo, falando sobre como teve que enfrentar a depressão e a vontade de cometer suicídio. É sobre isso que precisamos conversar de forma aberta e sincera: sobre como lidar de forma mais saudável com o empreendedorismo, sobre como equilibrar melhor vida pessoal e profissional, para que a nossa mente não tenha nenhum problema mais grave com tanto estresse e pressão.

E olha, vamos ter mais empatia. Se você não tem filhos ou tem rede de apoio, com funcionárias e babás te ajudando, se tem dinheiro para colocar seu filho em uma creche para trabalhar, se hoje já tem uma marca sólida no mercado o suficiente para tirar foto na piscina em uma quinta-feira para publicar no Instagram e no Facebook dizendo “caramba, como é fácil empreender e trabalhar pouco”… pense de novo. Pense em todos os privilégios e vantagens que você tem hoje e que te fazem não a regra, mas uma exceção no mundo empreendedor feminino. Pense em como você está deprimindo um montão de mulheres que não conseguem fazer isso hoje, porque isso só é possível para pessoas que têm a estrutura que você tem. Principalmente, pense em quanto você já teve de ralar para estar onde você está hoje e seja aberta e clara com relação a isso.

Vender o empreendedorismo como a salvação da lavoura e a pílula mágica para ser rico em pouco tempo está cada vez mais brega, mais démodé. As pessoas querem ouvir mais sobre o ’empreendedorismo sincerão’, o ‘lado B’ que ninguém conta. Isso te aproxima mais das pessoas e faz de você uma líder muito mais íntima de qualquer tribo que você queira formar.

Participe desse debate nos nossos comentários. Escreva sua opinião sobre esse tema que é tão importante para todas nós. Como você lida com o seu tempo e a sua jornada empreendedora hoje? Gostaria de ter mais tempo para a sua vida pessoal em 2018? Consegue equilibrar tudo isso numa boa?